Opus
A fita estava cheia
Por Rebobinados · Publicado em 10 de outubro de 2026

Ilustración: Rebobinados
O estádio de Oberwart, no sul do Burgenland, lotou no dia dois de setembro de 1984 com cerca de cinco mil pessoas que tinham ido celebrar o décimo primeiro aniversário de uma banda austríaca. O Opus tocou naquela noite, pela primeira vez na vida, uma canção nova chamada "Live Is Life". Tudo estava sendo gravado, porque daquele show tinha que sair o primeiro disco ao vivo do grupo. E não sobrou nada: a fita já estava cheia.
Então tocaram a canção outra vez no bis, vinte minutos depois, e é essa segunda tomada que ficou gravada e que deu a volta ao mundo. O que se ouve ali não é um público que sabe o refrão de cor há anos: é um público que tinha acabado de aprendê-lo naquela mesma noite, numa única escuta. O guitarrista Ewald Pfleger diz que essa segunda vez é o momento mais importante de sua carreira.
Stegersbach, um porão e um dicionário de latim
E não começou em Graz, embora seja a cidade à qual eles são associados. O Opus se formou em 1973 em Stegersbach, no sul do Burgenland, no porão da casa dos pais de Walter "Walt" Bachkönig, que vinha de cantar nos Meninos Cantores de Viena e que havia montado uma bateria com latas de cola vazias da fábrica de camisas do povoado. Os quatro fundadores foram Ewald "Sunny" Pfleger na guitarra e na voz, Kurt René Plisnier nos teclados, Bachkönig no baixo e Peter "Stevie" Stipsits na bateria. O nome foi encontrado pela irmã de Bachkönig, Edith, fazendo a lição de latim: a palavra "opus" estava no Stowasser, o dicionário escolar austríaco.
Stipsits saiu em 1974 e entrou Günter Grasmuck na bateria e na percussão, que ficou até o último dia. Nas tavernas e no porão do Castell de Stegersbach tocavam Deep Purple, Colosseum e clássicos arranjados em versão rock: faziam "O Voo do Besouro", de Rimski-Kórsakov. No fim de 1978 a banda inteira se mudou para Graz, e pouco depois apareceu o nome que a maioria associa à fundação: Herwig Rüdisser chegou à voz respondendo a um anúncio de jornal. Não é fundador, embora se conte assim em todos os lugares; entrou em 1978, cinco anos depois do porão.
O primeiro álbum, Daydreams, saiu em 1980 e não entrou nas paradas. A decolagem veio com Eleven, em março de 1982: número seis na Áustria e vinte e quatro semanas na parada, que continua sendo sua melhor posição para um disco de estúdio. Dele saiu "Flyin' High", seu primeiro sucesso de rádio, número cinco na Ö3 Austria Top 40 em agosto daquele ano. Depois vieram Opusition, em janeiro de 1983, e Up and Down, em maio de 1984. Tinham onze anos de estrada e quatro discos de estúdio quando subiram ao palco de Oberwart.
Escreveu-a um só, em Ibiza
O single está assinado por cinco: Pfleger, Plisnier, Grasmuck, o baixista Niki Gruber e Rüdisser. Mas a canção foi escrita por Pfleger sozinho, de férias em Ibiza, procurando capturar a sensação de estar no palco diante de um público. Os cinco combinaram desde o princípio dividir direitos e royalties em partes iguais, e Pfleger defende isso em público com um argumento que é quase moral: assim cinco famílias continuam vivendo daquele único sucesso mundial. Diz que não é milionário, que vive muito bem da canção e que provavelmente seu filho também viverá, porque os direitos correm por setenta anos.
O outro detalhe do título é fonético. Meia humanidade acredita que a canção se chama "Life Is Life", e há uma razão: em alemão as consoantes finais são desvozeadas, de modo que, em boca austríaca, "live" soa exatamente igual a "life". O erro está documentado até na bibliografia sobre os grupos de um único sucesso. E o sucesso não se mexeu: em 2025 a canção somava cerca de setecentas execuções diárias no rádio e mais de duzentos e setenta milhões de reproduções no Spotify.
O ouro não estava nos Estados Unidos
O álbum ao vivo Live Is Life saiu em dezembro de 1984 e foi número um na Áustria, com trinta e quatro semanas na parada. O single demorou mais alguns meses para sair do país, e quando saiu foi número um na Áustria, na Alemanha Ocidental, na França, na Suécia, na Espanha e na parada varejista canadense da The Record; número dois na Suíça, na Noruega, na Finlândia, em Flandres e na África do Sul; número três nos Países Baixos; número quatro na Irlanda; e número seis no Reino Unido, onde chegou ao seu pico no dia três de agosto de 1985. Na Alemanha foi o single mais vendido do ano, e o número um do ano também na Suíça.
Nos Estados Unidos, em troca, não aconteceu o que se costuma contar. O single foi lançado lá em janeiro de 1986 e parou no número trinta e dois da Billboard Hot 100, com dezesseis semanas na parada, e no trinta e cinco da Cash Box; Up and Down, cuja edição norte-americana incluiu "Live Is Life" porque o disco ao vivo não foi distribuído no país, chegou ao número sessenta e quatro da Billboard 200. Não há nenhuma certificação estadunidense: o disco de ouro que às vezes lhe é atribuído nos Estados Unidos não aparece nos registros. Ouro houve, sim, mas na França, na Alemanha e na Espanha; no Reino Unido foi prata, não ouro, e o ouro italiano só foi certificado em 2021, trinta e seis anos atrasado.
O verdadeiro golpe americano foi o Canadá. Número um na parada varejista da The Record, duplo platina da Music Canada em 1986 e, no dia dez de novembro daquele ano, o Juno Award de single internacional do ano, entregue no Harbour Castle Hilton de Toronto. Um prêmio da indústria canadense para um single austríaco gravado num estádio do Burgenland.
Falco subiu para tocar baixo
No dia vinte e nove de junho de 1985, com a canção já em número um em meia Europa, o Opus organizou um show beneficente pela África no estádio Graz-Liebenau diante de mais de vinte e cinco mil pessoas, com S.T.S., EAV, Wolfgang Ambros, Maria Bill, Wilfried e Falco. Falco havia recusado outro projeto africano e aceitou este porque as duas bandas se conheciam e se valorizavam, e quando subiu não se limitou a cantar: alternou estrofes com Rüdisser em "Flyin' High" e tocou baixo elétrico, de tênis, calça de moletom e jaqueta de couro preta sem mangas. A dívida era mútua, porque o Opus tinha feito os coros em "Junge Roemer" no ano anterior. Voltou a subir com eles no dia dezessete de setembro de 1993, no Orpheum de Graz, pelos vinte anos da banda; dessa vez só cantou.
O tamanho do que aconteceu em 1985 se mede melhor pelos danos colaterais. Na Alemanha havia outra banda chamada Opus desde 1980; quando o single austríaco se tornou o mais vendido do ano no país, os alemães tiveram que se rebatizar e reeditar seu LP com outra capa. Chamaram-se Pur e foram um dos grupos mais populares da Alemanha nas duas décadas seguintes. Dois anos depois, o coletivo esloveno Laibach gravou duas releituras da canção para seu álbum Opus Dei, uma em inglês e outra em alemão, as duas escuras e marciais, e, junto com sua versão de "One Vision" do Queen, foram o que lhes deu a primeira difusão massiva na MTV. Um hino de celebração convertido em paródia da estética totalitária.
Munique, o aquecimento e uma falsa lembrança
Na quarta-feira dezenove de abril de 1989, no Olympiastadion de Munique, o Bayern e o Napoli empataram em dois a dois na semifinal de volta da Copa da UEFA diante de mais de setenta e três mil espectadores. Diego Maradona foi titular com a dez e o Napoli passou por quatro a dois no agregado. Antes da partida, no aquecimento, Maradona fez embaixadinhas no ritmo de "Live Is Life", e dali saiu o vídeo que todo mundo já viu.
Duas coisas daquele aquecimento são contadas errado. A primeira é como a canção estava soando, e as fontes discordam: a Wikipédia e o Huffington Post dizem que saía pelos alto-falantes do estádio, e a ESPN sustenta que não era um DJ que a tocava, mas uma banda de covers que a executava ao vivo, encadeando sucessos do começo dos anos oitenta. Não há maneira de resolver a questão. A segunda é que o vídeo quase não existe: naquele dia as câmeras filmavam para o telão do placar e nada era transmitido. Foi o produtor belga Frank Raes quem entendeu o que havia visto, entrou em contato com a ZDF e conseguiu doze minutos de material do pré-aquecimento, com os quais editou o clipe que circula desde então.
E há uma falsa lembrança que vale ouro. Jürgen Klinsmann já contou em primeira pessoa ter estado ali: que havia setenta mil pessoas, que eles aqueciam do outro lado do campo muito concentrados, como alemães, que soava "Live Is Life", que Maradona começou a fazer embaixadinhas no ritmo da canção e que pararam de aquecer porque não conseguiam fazer outra coisa além de olhá-lo. Situa a cena na final, em Stuttgart. Klinsmann não estava em Munique: em 1989 jogava no VfB Stuttgart, que cruzou com o Napoli na final, não na semifinal. Jogou contra o Napoli de Maradona e marcou um gol na partida de volta, mas viu o aquecimento como todos os demais, em vídeo.
O que é preciso lembrar
O Opus durou quarenta e oito anos, doze discos de estúdio e dezesseis contando os ao vivo. Em outubro de 1987 lançaram um álbum gravado em parte com Eddy Offord, o ex-produtor do Yes, e dele saiu "Whiteland", cujos lucros foram para o Greenpeace. Houve honras do Estado austríaco em 2009 e em 2022 e um Amadeus pela obra de uma vida em 2021. E houve um episódio feio: em janeiro de 2020, quando Heinz-Christian Strache tocou a canção no ato em que anunciou sua candidatura em Viena, Pfleger publicou um comunicado dizendo que o Opus se distanciava do modo mais contundente, que ninguém lhes havia pedido permissão e que seu advogado examinaria se poderiam tomar medidas legais. Não há registro de que tenham chegado a apresentá-las.
O final teve data e foi digno. No dia vinte e um de dezembro de 2021, na Ópera de Graz, com os ingressos esgotados, o Opus tocou três horas e cerca de trinta canções, pelo menos uma de cada um de seus dezesseis discos, e doou os trinta e um mil euros da arrecadação para a construção de uma escola na Etiópia. Rüdisser apresentou o encerramento pedindo ao público que aproveitasse, porque era a última vez que iriam ouvi-lo assim. Os quatro do núcleo — Pfleger, Plisnier, Grasmuck e Rüdisser — estão vivos. Quem não chegou até ali é Wolfram Abt, o baixista que gravou e tocou com eles desde 1990 e durante dezoito anos: morreu no dia oito de fevereiro de 2008 e, segundo seu obituário na Musikergilde austríaca, tirou a própria vida. Havia nascido em 1969. Nenhuma fonte dá um motivo, e não é preciso inventar nenhum para ele.
Quando aquele coro soar num estádio e parecer cantado por uma multidão que o sabe de cor desde sempre, aí está o dado que o explica: eram cinco mil pessoas num estádio do Burgenland que tinham ouvido a canção uma única vez, vinte minutos antes, e a cantavam no bis porque a fita estava cheia. E se você ou alguém que você conhece atravessa uma crise ou tem pensamentos suicidas, no Chile pode ligar gratuitamente para o *4141 do Minsal, a linha de prevenção do suicídio, disponível vinte e quatro horas.
Fontes
O Opus é uma banda de rock austríaca fundada em 1973 em Stegersbach, sul do Burgenland, no porão da casa dos pais de Walter Bachkönig; a ficha da Wikipédia alemã consigna como origem formal Judendorf-Straßengel (Estíria), e a Wikipédia inglesa e a imprensa costumam dar Graz, que é a cidade para a qual a banda se mudou por completo no fim de 1978. O nome foi tirado por Edith Bachkönig do Stowasser, o dicionário escolar de latim austríaco. Fundadores de 1973: Ewald "Sunny" Pfleger (guitarra e voz, 1973-2021), Kurt René Plisnier (teclados, 1973-2021), Walter "Walt" Bachkönig (baixo, 1973-1980, formado nos Meninos Cantores de Viena) e Peter "Stevie" Stipsits (bateria, 1973-1974). Incorporações: Günter Grasmuck (bateria e percussão, 1974-2021), Hans Pallier (guitarra, 1974-1980), Herwig Rüdisser (voz principal, 1978-2021; nome real Herwig Tremschnig, nascido em Klagenfurt; o site oficial dá 1979 como ano de entrada), Niki Gruber (Peter Niklas Gruber, baixo, 1980-1991), Günter Timischl (voz e percussão, 1983-1985) e Wolfram Abt (baixo de estúdio e de palco, 1990-2008). Pfleger e Plisnier são os dois únicos presentes de 1973 a 2021. Doze álbuns de estúdio entre 1980 e 2020, de "Daydreams" a "Magnum", e dezesseis no total com os ao vivo, cifra que a banda e a ORF utilizam; a biografia de Rüdisser na Wikipédia alemã diz treze de estúdio. "Daydreams" (1980, produtor Peter Janda) não entrou nas paradas; "Eleven" (março de 1982) foi nº6 na Áustria com 24 semanas; "Flyin' High" (agosto de 1982) nº5 na Ö3 Austria Top 40 com 12 semanas e nº45 na Alemanha Ocidental; "Opusition" (janeiro de 1983) nº16 na Áustria; "Angie" (outono de 1983) nº18; em 1983 deram 65 shows diante de mais de 100.000 espectadores; "Up and Down" (maio de 1984, OK Musica / Polydor, produtor Peter Müller) nº12 na Áustria, nº64 na Billboard 200 com 16 semanas e nº51 no Canadá (RPM). Gravação de "Live Is Life": domingo 2 de setembro de 1984, estádio de Oberwart (Burgenland), show pelo 11º aniversário da banda diante de cerca de 5.000 pessoas segundo Pfleger; a primeira interpretação da canção não ficou gravada porque a fita estava cheia, e a tomada publicada é o bis, tocado cerca de vinte minutos depois. Pfleger data a tomada em 4 de setembro numa entrevista; o site oficial, a ORF, o Kleine Zeitung e as duas Wikipédias dão o dia 2. Single "Live Is Life" (1984, Polydor / OK, produtor Peter Müller, 4:14), assinado por Ewald Pfleger, Kurt René Plisnier, Günter Grasmuck, Niki Gruber e Herwig Rüdisser; composto por Pfleger sozinho, de férias em Ibiza, com divisão de direitos e royalties em partes iguais entre os cinco. Álbum ao vivo "Live Is Life" (dezembro de 1984): nº1 na Áustria com 34 semanas, nº5 na Alemanha com 24 e nº4 na Suíça com 28. Posições do single: nº1 na Áustria (8 semanas no topo, 25 na parada), França (7 semanas), Alemanha Ocidental (27 semanas na parada), Suécia (4 semanas), Espanha (AFYVE) e a parada varejista canadense da "The Record"; nº2 em Flandres, Finlândia, Suíça (21 semanas), Noruega e África do Sul; nº3 nos Países Baixos; nº4 na Irlanda; nº6 no Reino Unido com 16 semanas, pico em 3 de agosto de 1985; nº7 no Canadá (RPM); nº32 na Billboard Hot 100 com 16 semanas, após o lançamento estadunidense de janeiro de 1986; nº35 na Cash Box Top 100 na semana de 29 de março de 1986. Foi o nº1 do ano de 1985 na Suíça e na Alemanha Ocidental — onde foi o single mais vendido do ano — e nº4 do ano na Áustria. Certificações: Canadá 2× platina (Music Canada, 1986); França ouro por 500.000 unidades (1986, registrado em "European Gold & Platinum Awards 1986", Music & Media, 27 de dezembro de 1986, p. 33); Alemanha ouro (1985); Espanha ouro para o single (1985) e para o álbum (1986); Itália ouro (FIMI, certificado em 2021); Reino Unido prata (BPI, 1985), não ouro. Não consta certificação da RIAA: o "disco de ouro nos EUA" que a Wikipédia alemã e o 20 Minuten afirmam não figura na tabela de certificações e não pôde ser confirmado na base de dados da RIAA. Outros marcos de 1985: "Warum?", de Austria für Afrika com o Opus entre os participantes, nº1 na Áustria em 15 de abril; "Flyin' High (Live)", 3 de maio, nº5 na Suíça e nº37 na Alemanha; show beneficente pela África no estádio Graz-Liebenau no sábado 29 de junho diante de mais de 25.000 pessoas, com S.T.S., EAV, Kurt Gober Band, Wolfgang Ambros, Falco, Maria Bill e Wilfried, editado em 2013 como "Opus & Friends – Graz Liebenau 1985" (nº18 na Áustria); e o álbum "Solo", setembro, nº8 na Áustria. Naquele show Falco alternou estrofes com Rüdisser em "Flyin' High" e tocou baixo elétrico; voltou a subir com a banda em 17 de setembro de 1993 no Orpheum de Graz, no 20º aniversário, dessa vez só como cantor. O Opus tinha feito os coros em "Junge Roemer" de Falco em 1984. Falco morreu em 1998. Juno Award de International Single of the Year em 10 de novembro de 1986, no Harbour Castle Hilton de Toronto. "Opus" (outubro de 1987) nº7 na Áustria, gravado em parte com Eddy Offord, ex-produtor do Yes; o single "Whiteland" (18 de outubro de 1987) foi nº3 na Áustria e seus lucros foram para o Greenpeace. Depois: "Faster and Faster" (1988) nº12; "Magical Touch" (março de 1990, produtor Erwin Musper) nº26, último com Niki Gruber; "Walkin' on Air" (maio de 1992) nº13; "The Power of Live Is Life" (1994, remixes dos Bingoboys) nº3 na Áustria e nº7 na Islândia; "Love God & Radio" (1996) e "The Beat Goes On" (2004) sem entrar nas paradas; "Live Is Life '08" (9 de maio de 2008, com Jerry) nº16 na Áustria, comercializado pela Sony BMG para a Eurocopa de 2008; e "Magnum" (13 de novembro de 2020) nº37. A banda alemã Pur se chamou Opus entre 1980 e 1985 e teve que se rebatizar e reeditar seu LP "Vorsicht Zerbrechlich" com outra capa quando o single austríaco se tornou o mais vendido do ano na Alemanha. Versões: o Laibach gravou "Opus Dei" (em inglês) e "Leben heißt Leben" (em alemão) para seu álbum "Opus Dei" (Mute Records, 23 de abril de 1987), que junto com seu cover de "One Vision" do Queen deu ao coletivo esloveno sua primeira difusão massiva na MTV e no "The Chart Show"; Stargo (1985) chegou ao nº10 na França no mesmo ano do original; Hermes House Band com DJ Ötzi publicaram "Live Is Life (Here We Go)" em 24 de junho de 2002 (Universal / Polydor), nº2 na França durante cinco semanas, platina francesa com 537.000 unidades em agosto de 2014 e 23º single mais vendido do século XXI na França. A canção foi interpolada em "Love Is the Name" de Sofia Carson (2016), adaptada pela torcida do Liverpool como canto para Jürgen Klopp em janeiro de 2016 e regravada como tema oficial do Campeonato Europeu Feminino de Handebol de 2024. O erro de chamá-la "Life Is Life" se explica pelo desvozeamento das obstruintes finais em alemão e está documentado em Tom Bromley, "We Could Have Been the Wombles" (Penguin, 2006), p. 223. Aquecimento de Maradona: quarta-feira 19 de abril de 1989, Olympiastadion de Munique, semifinal de volta da Copa da UEFA 1988-89, Bayern de Munique 2-2 SSC Napoli, 73.132 espectadores, árbitro David Syme (Escócia), gols de Careca aos 61' e 76', Roland Wohlfarth aos 63' e Stefan Reuter aos 81', com Maradona titular e a camisa 10; o Napoli passou por 4-2 no agregado após ganhar 2-0 em Nápoles em 5 de abril. As fontes discordam sobre o mecanismo da música: a Wikipédia e o Huffington Post UK (17 de abril de 2014) dizem que soava pelos alto-falantes do estádio; a ESPN (22 de abril de 2020) sustenta que não era um DJ que a tocava, mas uma banda de covers do estádio que a executava ao vivo. Naquele dia as câmeras gravavam só para o telão do placar e nada era transmitido: o produtor belga Frank Raes negociou com a ZDF os 12 minutos de material de pré-aquecimento com os quais foi editado o clipe que circula desde então, que em 2013 tinha quase dois milhões de visualizações no YouTube. Jürgen Klinsmann jogava em 1989 no VfB Stuttgart, que cruzou com o Napoli na final da Copa da UEFA — 3 de maio de 1989, San Paolo, Napoli 2-1 Stuttgart, com pênalti de Maradona aos 68', gol de Careca aos 87' e de Gaudino aos 17', 81.093 espectadores; e 17 de maio de 1989, Neckarstadion, Stuttgart 3-3 Napoli, com gols de Klinsmann aos 27', gol contra de De Napoli aos 70' e Schmäler aos 89' diante de Alemão aos 18', Ferrara aos 39' e Careca aos 62', 67.000 espectadores; Napoli campeão por 5-4 no agregado, seu primeiro título europeu —, não na semifinal de Munique. Seu relato em primeira pessoa do aquecimento, recolhido por Mike Woitalla no Soccer America em 25 de setembro de 2013, o situa na final e em Stuttgart: é uma falsa lembrança documentada. Maradona morreu em 25 de novembro de 2020. Uso político: na quinta-feira 23 de janeiro de 2020, no Neujahrstreffen do DAÖ (Die Allianz für Österreich) realizado nos Sofiensäle de Viena, onde Heinz-Christian Strache anunciou sua candidatura às eleições de Viena, tocou-se "Live Is Life"; no dia seguinte Ewald Pfleger publicou um comunicado no qual o Opus se distanciava "do modo mais contundente", afirmava que não lhes havia sido pedido consentimento e anunciava que seu advogado examinaria se poderiam tomar medidas legais. Não há constância de que a ação tenha sido apresentada, nem de sentença nem de acordo. Honras: Großes Ehrenzeichen des Landes Steiermark a Grasmuck, Pfleger, Plisnier e Rüdisser em setembro de 2009; show com orquestra na Ópera de Graz dirigido por Christian Kolonovits, editado como "Tonight At The Opera"; Amadeus Award ao Lebenswerk em 1 de setembro de 2021; e Goldenes Ehrenzeichen für Verdienste um die Republik Österreich em junho de 2022. Despedida: terça-feira 21 de dezembro de 2021, Ópera de Graz, com os ingressos esgotados, cerca de 3 horas e cerca de 30 canções, pelo menos uma de cada um dos 16 álbuns, com Maria Bill, Willi Resetarits, Reinhold Bilgeri, Gert Steinbäcker, Johannes Silberschneider, as Schick Sisters e Robby Musenbichler como convidados; foi um show beneficente e arrecadou 31.000 euros para "Menschen für Menschen", destinados à construção de uma escola na Etiópia; a ORF 2 o transmitiu em 26 de março de 2022. A Wikipédia inglesa dá erroneamente 24 de novembro de 2021 como última apresentação. O álbum ao vivo daquela noite, "The Last Note" (2022), foi nº6 na Áustria; "We Are One" (21 de setembro de 2023), com as Schick Sisters, é uma colaboração posterior à dissolução e não um reencontro do Opus. Nenhum integrante do Opus morreu: não há obituário de Pfleger, Plisnier, Grasmuck, Rüdisser, Bachkönig, Stipsits, Pallier nem Niki Gruber. Wolfram Abt (1969 – 8 de fevereiro de 2008), baixista de estúdio e de palco do Opus desde 1990, diplomado em baixo elétrico no Conservatório Bruckner de Linz em 1995, músico também do S.T.S. desde 1996 e professor na Universidade das Artes de Graz desde março de 2004, morreu por suicídio segundo seu obituário na Musikergilde austríaca, que o formula como "freiwillig aus dem Leben geschieden"; não existe laudo forense público e nenhuma fonte declara um motivo. Não constam dependências, causas penais, acusações nem litígios internos da banda, e não existe nenhuma ação, sentença, acordo nem disputa de autoria ou propriedade sobre "Live Is Life". Cifras de 2025: cerca de 700 execuções diárias no rádio e mais de 270 milhões de reproduções no Spotify. Perfil elaborado para a Rebobinados com verificação de dados; as interpretações sobre o sentido de sua obra são oferecidas como leitura do autor. Não se reproduzem letras de canções por direitos autorais. Dados recolhidos da Wikipédia em alemão e em inglês (Opus, "Live Is Life", "Opus Dei", os Juno Awards de 1986, Pur e a final da Copa da UEFA de 1989), do site oficial opus.at, da entrevista a Ewald Pfleger no athenscalling.gr, da ORF da Estíria (22 de dezembro de 2021 e 1 de setembro de 2021), de Bernd Melichar no Kleine Zeitung (1 de agosto de 2014), do 20 Minuten (4 de abril de 2025), do Salzburg24 e do nachrichten.at (24 de janeiro de 2020), do obituário de Wolfram Abt no musikergilde.at, do falco-compendium.at, do 5min.at, do Datencenter da DFB, do worldfootball.net, do Soccer America (25 de setembro de 2013), do Huffington Post UK (17 de abril de 2014), da ESPN, do austriancharts.at, do offiziellecharts.de, do hitparade.ch, do officialcharts.com, do musiccanada.com, do Music & Media (27 de dezembro de 1986) e da Cash Box Top 100 (29 de março de 1986).
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Bruno Mars
Onze nomes nos créditos
"Uptown Funk" saiu em 10 de novembro de 2014 com seis compositores e hoje tem onze. Em fevereiro de 2015 a editora do The Gap Band reclamou por "Oops Up Side Your Head" no sistema de copyright do YouTube —nunca houve processo— e em 28 de abril foram acrescentados cinco nomes, com 17 % da edição. Aconteceu semanas depois do veredicto de "Blurred Lines", e a canção estava há 14 semanas no número um.

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Não era da suíte de jazz
A valsa com que André Rieu chegou a meio mundo não é da Suíte para orquestra de jazz nº 2 de Shostakovich: é da Suíte para orquestra de variedades, que o compositor não montou, e nasceu em 1956 como música para um filme soviético sobre colonos no Cazaquistão. O erro vem de uma errata do volume 10 das obras completas (Muzyka, Moscou, 1984), corrigida só em 2001. E o título "A segunda valsa" foi inventado por sua mulher, porque o verdadeiro não vendia.

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Tirou o bairro da canção
"O Canto da Cidade" foi escrita por Tote Gira, um compositor do Nordeste de Amaralina que gravou a demo num cassete emprestado marcando o ritmo na porta de uma geladeira; a equipe de Mercury quase jogou a fita fora. Ela divide o crédito porque apagou as referências ao Pelourinho para que a canção servisse em todo o Brasil. O disco, de 20 de setembro de 1992, vendeu mais de 2 milhões de cópias e nacionalizou o axé. Mas não o inventou: o nome era um insulto de um jornalista em 1987.
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