
Bee Gees, rebobinado
Um diário que toca alto
A memóriavivada música.
Década por década, disco por disco. Rebobinamos a história do rock para entender o que toca hoje — com ponto de vista, não com nostalgia de museu.

Oasis, rebobinado
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Capítulo 01 — Hoje na música
Num dia como hoje 21 de outubro
1925

Nasce Celia Cruz, a rainha da salsa que nunca pôde voltar a Cuba
Em 21 de outubro de 1925 nasceu em Havana Úrsula Hilaria Celia de la Caridad Cruz Alfonso, uma de catorze irmãos e primos criados na mesma casa. Estudava para ser professora quando entrou como cantora na Sonora Matancera. Saiu de Cuba em 1960 numa turnê e o governo nunca a deixou regressar, nem mesmo quando sua mãe morreu. Do exílio transformou seu grito de "¡azúcar!" em marca de um continente inteiro.
Celia Cruz
La Sonora Matancera
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Também num dia como hoje
1941
Nasce Steve Cropper, o guitarrista que tocava o mínimo possível e o exato
Em 21 de outubro de 1941 nasceu no Missouri Steve Cropper, guitarrista do Booker T. & the M.G.'s, a banda da casa da Stax: dois músicos negros e dois brancos tocando juntos na Memphis segregada dos anos 1960. Seu estilo era o oposto do exibicionismo: acordes curtos, notas contadas, todo o espaço para o cantor. Coescreveu "In the Midnight Hour", "Knock on Wood" e "(Sittin' On) The Dock of the Bay".
Steve Cropper
Booker T. & the M.G.'s
Otis Redding

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1957
Jailhouse Rock chega ao primeiro lugar e fica sete semanas
A parada Best Sellers in Stores datada de 21 de outubro de 1957 coroou Elvis Presley com Jailhouse Rock, escrita por Jerry Leiber e Mike Stoller para o filme homônimo. Aguentou sete semanas no topo, revezando com os Everly Brothers, e repetiu a dose no Reino Unido no início de 1958. É Elvis no ponto mais elétrico, ainda sem domesticar.
Elvis Presley
Jerry Leiber
Mike Stoller

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Recém-rebobinado
O mais recente do arquivo
A memória da música não se guarda sozinha: alguém precisa rebobiná-la. Conheça a história rebobinada de:
Capítulo 02 — Décadas
Escolha sua década
A espinha dorsal deste arquivo: sete décadas que mudaram o jeito de ouvir.

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Capítulo 03 — Ritmos
Os ritmos que importam
Além do rock: os gêneros que o alimentaram e os que ele gerou. Cada card leva aos seus expoentes-chave.
Expoentes-chave
Cream
1966–1968
O primeiro supergrupo da história: Clapton, Bruce e Baker levaram o blues elétrico ao limite da improvisação.
The Yardbirds
1963–1968
A escola definitiva de guitarristas: Clapton, Beck e Page passaram por suas fileiras antes de mudar o rock para sempre.
John Mayall & the Bluesbreakers
1963–2008
O celeiro do blues britânico: Mayall formou Clapton, Peter Green e Mick Taylor em sua banda-escola.
Stevie Ray Vaughan
1978–1990
O texano que ressuscitou o blues elétrico nos anos oitenta com uma Stratocaster e uma intensidade sobre-humana.
Expoentes-chave
The Doors
1965–1973
Jim Morrison e companhia transformaram o rock em teatro xamânico: poesia sombria sobre órgãos hipnóticos.
Jefferson Airplane
1965–1972
A voz de Grace Slick em 'White Rabbit' definiu o som de San Francisco e do Verão do Amor.
Grateful Dead
1965–1995
Trinta anos de improvisação infinita: a banda que transformou o show em um ritual comunitário.
13th Floor Elevators
1965–1969
Os pioneiros do Texas que cunharam o termo 'rock psicodélico' antes de todos, com Roky Erickson à frente.
Expoentes-chave
Led Zeppelin
1968–1980
A maior banda dos anos setenta: Page, Plant, Jones e Bonham construíram o molde do rock de estádios.
Deep Purple
1968–1976
O riff de 'Smoke on the Water' e o virtuosismo de Blackmore e Lord definiram o hard rock clássico.
AC/DC
1973–presente
Os australianos que reduziram o rock à sua essência: riffs de granito e zero concessões por cinco décadas.
Aerosmith
1970–2024
Os 'Toxic Twins' de Boston misturaram blues, glamour e perigo para criar o hard rock americano por excelência.
Expoentes-chave
Ramones
1974–1996
Quatro caras do Queens com jaquetas de couro que inventaram o punk em canções de dois minutos.
Sex Pistols
1975–1978
Duraram três anos e um único disco, o suficiente para aterrorizar a Inglaterra e mudar a música para sempre.
The Clash
1976–1986
'A única banda que importa': levaram o punk do niilismo ao compromisso político e a todos os gêneros possíveis.
Dead Kennedys
1978–1986
A sátira feroz de Jello Biafra transformou o punk californiano em uma arma política afiada.
Expoentes-chave
Black Sabbath
1968–2017
Os pais fundadores: com seu álbum de estreia de 1970 inventaram o heavy metal em quarenta minutos de escuridão.
Judas Priest
1969–presente
Deram ao metal seu uniforme de couro e tachas e suas guitarras gêmeas: o gênero lhes deve toda a sua estética.
Iron Maiden
1975–presente
Galope de baixo, épica histórica e Eddie: a máquina britânica que levou o metal aos cinco continentes.
Metallica
1981–presente
Do thrash de garagem aos estádios: a banda que fez do metal o gênero mais massivo do planeta.
Expoentes-chave
King Crimson
1968–2021
Robert Fripp fundou e refundou a banda ao longo de cinco décadas: cada encarnação redefiniu o que significa 'progressivo'.
Yes
1968–presente
Virtuosismo luminoso e suítes cósmicas: 'Close to the Edge' continua sendo o auge técnico do gênero.
Genesis
1967–2022
Com Peter Gabriel fantasiado de flor e Phil Collins na bateria, fizeram do prog um teatro surrealista.
Emerson, Lake & Palmer
1970–1998
O trio que apunhalava órgãos Hammond no palco e transformou Mussorgsky em rock de estádios.
Expoentes-chave
Nirvana
1987–1994
Três discos bastaram: Kurt Cobain transformou a angústia adolescente no fenômeno cultural dos anos noventa.
Pearl Jam
1990–presente
Os sobreviventes de Seattle: trinta anos transformando integridade em carreira e estádios em assembleias.
Soundgarden
1984–2017
A voz impossível de Chris Cornell sobre riffs de chumbo: o elo entre o Zeppelin e Seattle.
Alice in Chains
1987–presente
As harmonias fantasmagóricas de Staley e Cantrell deram ao grunge seu lado mais sombrio e doloroso.
Expoentes-chave
The Sonics
1960–1968
Os selvagens de Tacoma: seu 'Here Are The Sonics' de 1965 é o disco mais cru de sua década.
The Kingsmen
1959–1968
Gravaram 'Louie Louie' em uma tomada por 50 dólares e o FBI passou dois anos investigando a letra.
The Seeds
1965–1972
Sky Saxon e seu 'Pushin' Too Hard': dois acordes de Los Angeles que anteciparam o punk em uma década.
The Standells
1962–1970
'Dirty Water' deu a Boston um hino eterno e ao garage sua atitude de garoto mau de bairro.
Expoentes-chave
The Smiths
1982–1987
Johnny Marr tecendo guitarras e Morrissey cantando a timidez como se fosse uma causa.
Sonic Youth
1985–1992
Afinações inventadas e chaves de fenda entre as cordas: o ruído virando método.
Pixies
1987–1991
Baixo e grito, calma e explosão: a fórmula que Cobain admitiu ter copiado.
Pavement
1992–1999
Desafinar de propósito até soar melhor que afinado. Ninguém fez isso com mais graça.
Expoentes-chave
Blur
1993–1997
Damon Albarn fazendo retratos da classe média inglesa com sintetizador de parque.
Oasis
1994–1997
Dois irmãos de Manchester brigando em público e escrevendo hinos no intervalo.
Pulp
1994–1998
Jarvis Cocker esperou quinze anos; quando chegou a vez, escreveu «Common People».
Suede
1992–1996
Chegaram antes de todos, com glam, ambiguidade e periferia londrina.
Capítulo 03 — Além do rock
Música com história que não é rock
O pulso pop do século: soul, funk, disco, hip-hop e mais. A mesma memória, outras raízes.
Expoentes-chave
Michael Jackson
1979–1991
De menino prodígio a Rei do Pop: 'Thriller' segue o álbum mais vendido da história.
Madonna
1983–1990
A reinvenção como estratégia: fez da provocação um ofício e do clipe sua tela.
ABBA
1974–1982
Melancolia sueca disfarçada de euforia: canções perfeitas que escondem um coração partido.
Expoentes-chave
Aretha Franklin
1967–1972
A Rainha do Soul: uma voz que transformava qualquer canção em evangelho próprio.
Marvin Gaye
1971–1973
Com 'What's Going On' fez do soul um disco de consciência social sem perder a sensualidade.
Otis Redding
1965–1967
O soul da Stax em carne viva: intensidade pura até sua morte aos 26.
Expoentes-chave
James Brown
1965–1974
O Padrinho do Soul que inventou o funk movendo o acento para o primeiro tempo.
Sly & the Family Stone
1968–1971
Banda mista e multirracial que fundiu soul, rock e psicodelia em groove otimista.
Parliament-Funkadelic
1975–1978
O coletivo de George Clinton levou o funk a uma mitologia cósmica e delirante.
Expoentes-chave
Donna Summer
1975–1979
A Rainha do Disco: 'I Feel Love' com Moroder abriu a porta para toda a música eletrônica de dança.
Chic
1977–1979
Nile Rodgers e Bernard Edwards: a elegância rítmica que metade do hip-hop depois sampleou.
Bee Gees
1977–1979
Com 'Saturday Night Fever' fizeram o planeta inteiro dançar em falsete.
Expoentes-chave
Grandmaster Flash & the Furious Five
1979–1982
'The Message' levou o rap da festa à crônica social do gueto.
Public Enemy
1987–1990
Chuck D e uma produção demolidora: hip-hop como panfleto revolucionário.
N.W.A
1988
De Compton, o gangsta rap que pôs a realidade da rua no centro do debate.
Expoentes-chave
Bob Marley & The Wailers
1973–1980
O rosto global do reggae: mensagem rastafári e melodias que deram a volta ao planeta.
Toots & the Maytals
1968–1972
Deram nome ao gênero com 'Do the Reggay' e uma voz de puro fogo soul.
Lee "Scratch" Perry
1973–1976
Gênio excêntrico do estúdio: inventou o dub e reescreveu as regras da produção.
Expoentes-chave
Bob Dylan
1962–1965
Pegou a tradição emprestada, encheu-a de imagens próprias e depois a ligou na tomada.
Joan Baez
1960–1968
Voz de soprano e credencial de manifestante: cantou em Selma e em Washington.
Fairport Convention
1969–1971
Ligaram na tomada as baladas inglesas do século XVII e fundaram o folk rock britânico.
Capítulo 04 — Editorial
Mon Laferte
Nunca coube nas gavetas
Fez a canção de despeito mais ouvida de sua geração sem a ajuda do rádio, ganhou cinco Latin Grammy sem repetir o mesmo truque e subiu num andaime de doze metros para pintar o que ninguém desenha.
Por Rebobinados
Editoriais anteriores

00s
metal
Sinergia
A canção que todos leram errado
Quase todo o Chile ouviu "Mujer Robusta" como uma piada. A banda sustenta o contrário: é uma reivindicação, e já barraram rádios que a usavam em tom de deboche. Até o nome do seu gênero veio de fora.

Editorial
A voz que estava enterrada numa fita cassete
No fim dos anos setenta, John Lennon gravou no seu apartamento uma demo em que a voz ficou colada ao piano. Durante quase trinta anos foi impossível separá-las. Em 2023 uma máquina conseguiu, e nasceu a última canção dos Beatles. Nesse mesmo ano, outra máquina fabricou um dueto de Drake que jamais existiu. A mesma tecnologia, e uma única linha separando as duas.

80s
pop
Federico Moura
Dançar no abismo
Federico Moura, ou por que num país governado pelo medo dançar também era resistir. No começo jogaram laranjas nele por tirar para dançar um rock que se escutava sentado. Ninguém sabia que a ditadura tinha arrancado um filho daquela família, e que a sua leveza era uma resposta escolhida ao horror.

Opinião
A música como controle de massas e ferramenta de normalização
Como a música molda, disciplina e às vezes liberta as multidões. Dos congressos de Nuremberg a Adorno, Foucault e a música ambiente do supermercado: por que aquilo que se sente como a mais livre das experiências é também um dos instrumentos de controle mais eficazes que existem.

70s
hip hop
Qual é a diferença entre rap e hip-hop?
A resposta que quase todos usam errado, e por que entendê-la bem muda como você escuta meio século de música. Os quatro elementos, a festa do Bronx de 1973 e a frase de KRS-One que resolve tudo: o rap é algo que você faz, o hip-hop é algo que você vive.

00s
garage
Manifesto Rebobinados: por que rebobinar
Nunca houve tanta música disponível e nunca foi tão fácil não ouvir nada. Contra o esquecimento do algoritmo, este blog propõe ouvir para trás para entender o que toca hoje. A memória viva do rock, década por década. E um convite: escreva com a gente.
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Capítulo 05 — Comunidade
Isto se escreve em voz alta
Últimos comentários
Rodrigo Aravena
14 de ago.
Buen artículo, coincido que los últimos años de los 60' fueron el nacimiento de un género muy revolucionario y a la vez muy mal visto por la élites de la época, bandas como Cream, The Who, The Kinks y Led Zeppelin en Inglaterra Mountain al mando de Leslie West, Steppenwolf en Estados Unidos siguieron la senda de Buddy Guy, Freddy King y Albert Collins como tantos otros que dieron el puntapie inicial a la revolución cultural del rock de los 70.
hard rock la decada del exceso →Federico An-der Fuhren
24 de jul.
Para compartir: En un viaje a Irlanda conocí el Museo del Rock. Parte del recorrido incluye el afiche del concierto que Nirvana tenía programado para el día en que murió Kurt Cobain. Es una pieza cargada de nostalgia. Según relatan en el museo, Dave Grohl visitó el lugar y, al ver ese afiche, rompió en llanto. También cuentan que, tras conversar con el personal y el curador, reafirmó su decisión de seguir haciendo música. Lo que sí está documentado es que, durante un viaje por Irlanda tras la muerte de Kurt, Grohl vio a un joven haciendo dedo con una polera de Nirvana. Ese momento le hizo comprender que nunca podría dejar atrás lo que la banda había significado ni el legado que habían construido, y fue parte del proceso que lo llevó a volver a hacer música y, más tarde, a formar Foo Fighters. Mi voto es por Kurt, por lo que significó Nirvana en los 90 y por el legado que dejó al grunge y a la música hasta hoy.
27club →Escreva conosco
Tem uma história sobre um disco, uma banda, uma cena? Este espaço vai crescer com novas vozes.
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Rebobinados não é só para ler — é para criar. Grave com o looper —voz, bateria, piano, guitarra, baixo—, monte um beat no groovebox de 16 passos (bateria, baixo e acordes); tudo roda no navegador, grátis e sem instalar nada.
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68A ▸ Stone Temple Pilots

69A ▸ Supertramp

70A ▸ Tears for Fears

71A ▸ The Cranberries

72A ▸ The Cure

73A ▸ The Rolling Stones

74A ▸ The Smashing Pumpkins

75A ▸ The Verve

76A ▸ Tracy Chapman

77A ▸ U2

78A ▸ Van Halen

79A ▸ Willie Nelson

80A ▸ ZZ Top
Capítulo 06 — Manifesto
Por que rebobinar
“O algoritmo tem memória curta. Nós não. O Rebobinados existe porque cada música que toca hoje tem uma dívida com alguma que tocou antes — e conhecer essa dívida muda o jeito de ouvir.”
Não somos um museu. Somos um diário com posição: escolhemos, discutimos e defendemos. Se você busca neutralidade, a enciclopédia já existe.
O podcast
Elevados
Conversas elevadas sobre a música que não se rebobina sozinha.
Em breve · Capítulos aqui
Apresentado por Cabra Chica Elevada
@cpls27Último capítulo — O correio
Rebobine com a gente
Uma efeméride por dia, um editorial por semana. Zero spam, puro arquivo.










