Década 90s · Ritmo disco dance
Era
O latim falso foi escrito por um perito
Por Rebobinados · Publicado em 11 de outubro de 2026

Ilustración: Rebobinados
A letra de "Ameno" não foi escrita por Éric Lévi sozinho. O crédito do primeiro disco do Era divide o tema em dois: a música é dele e o texto é assinado por ele e por Guy Protheroe, um inglês que além disso a canta. Protheroe dirige o English Chamber Choir, o coro que gravou os discos do projeto, e tem um segundo ofício que não aparece em nenhuma capa: é musicólogo forense. Há mais de trinta e cinco anos atua como perito em disputas de copyright musical —a Universidade de Birmingham o descreveu em junho de 2023 como um dos musicólogos peritos mais eminentes do campo— e consta dos registros britânicos de peritos judiciais como forensic musicologist. O New York Times o entrevistou nessa condição no dia onze de outubro de 2016, no perfil intitulado "The Man Musicians Call When Two Tunes Sound Alike", o homem a quem os músicos recorrem quando duas melodias se parecem, dedicado a seu colega Peter Oxendale. As sílabas que soam sagradas e não significam nada foram escritas pelo perito que se consulta para determinar se uma canção se parece demais com outra.
O perito que canta no coro
Protheroe nasceu em Worcester em 1947, foi menino de coro na catedral de Canterbury e estudou música com uma bolsa no Magdalen College de Oxford. Dirige o English Chamber Choir, fundado em 1972, que antes do Era já havia gravado com Vangelis em 1492: Conquest of Paradise, com Rick Wakeman em Journey to the Centre of the Earth em 1974 e na montagem cênica de Tommy, do The Who, entre 1972 e 1973. Nos discos do Era não há monges nem há um solista estrela: há um coro profissional de Londres e cantores de estúdio com nome e sobrenome.
Estão nos créditos. Em "Ameno" cantam Protheroe e Harriet Jay; a guitarra, o baixo e a bateria são de Philippe Manca; os coros foram gravados em Abbey Road, na CTS e na Metropolis, e as guitarras, os teclados e as vozes nos Real World Studios de Bath. Protheroe coescreve também o texto de "Enae Volare (Mezzo)". E há uma terceira letrista, Florence Dedam, que assina e canta "Mother" e "After Time", em inglês e sem pseudo-latim. O baixo do disco de estreia é tocado por Lee Sklar, o baixista de estúdio de James Taylor e Jackson Browne; em discos posteriores aparecem Chester Thompson e Daryl Stuermer, da banda de palco do Genesis.
Que o idioma não signifique nada é deliberado, e convém dizê-lo com precisão: "ameno" é uma palavra perfeitamente corrente em espanhol e em português, e amoenus existe em latim clássico. O que não quer dizer nada é o conjunto, escrito de propósito para que cada ouvinte coloque nele o que quiser. Dali saiu um fenômeno paralelo: há sites de letras que publicam supostas traduções ao espanhol — uma delas intitulada "Libérame" — que convertem o aglomerado de sílabas num texto coerente sobre libertação e dor, e no TikTok circula a ideia de que é um mantra ou uma mensagem oculta. Não são traduções de nada. São invenções sobre um texto escrito vazio.
Na primeira formação havia dois do Téléphone
Lévi, nascido Éric Jacques Levisalles em Paris no dia vinte e três de dezembro de 1955, é guitarrista, e começou no hard rock. Em 1975, em Paris, fundou com a cantora Fabienne Shine um grupo chamado Speedball que logo passou a se chamar Shakin' Street, por uma canção do MC5. A formação inicial foram cinco: Fabienne Shine na voz, Éric Lévi na guitarra e na voz, Louis Bertignac na segunda guitarra, Corine Marienneau no baixo e Jean-Lou Kalinowski na bateria e na percussão. Bertignac e Marienneau saíram cedo, depois de atritos internos, e fundaram com Jean-Louis Aubert o grupo Téléphone.
Do Shakin' Street sobraram dois discos e uma turnê americana. Vampire Rock (CBS, 1978) foi gravado nos Olympic Studios de Londres e vendeu mais de vinte e cinco mil cópias na França; entre 1979 e 1980 o grupo rodou pelos Estados Unidos com Blue Öyster Cult, Cheap Trick, Pat Travers, Journey e AC/DC. O segundo álbum, Shakin' Street (Columbia, 1980), publicado também como Solid as a Rock, foi produzido por Sandy Pearlman, que colocou Ross "the Boss" Friedman — futuro Manowar — como guitarra solo; chegou ao número quarenta na Suécia e lhes valeu abrir o Black and Blue Tour do Black Sabbath e do Blue Öyster Cult. Dissolveram-se em 1981. Lévi foi para Nova York, onde colaborou com Marianne Faithfull, e voltou a Paris em 1992.
O coro épico era de uma comédia
Voltou para trabalhar no cinema, e aí está a origem do projeto. Entre 1991 e 1998 Lévi assinou sete trilhas sonoras francesas, cinco delas antes do primeiro disco do Era e cinco para o mesmo diretor, Jean-Marie Poiré: L'Opération Corned-Beef em 1991, Les Visiteurs em 1993, Les Anges gardiens em 1995 e Les Couloirs du temps : Les Visiteurs 2 em 1998, além de encomendas para Jeannot Szwarc, Patrick Malakian e Didier Kaminka. Para La Vengeance d'une blonde, em 1994, coescreveu a canção dos créditos "People and Places" com Roxanne Seeman e com Philip Bailey, do Earth, Wind & Fire, gravada por Dee Dee Bridgewater e Bailey.
Les Visiteurs, estreado no dia vinte e sete de janeiro de 1993, foi um acontecimento: quase catorze milhões de espectadores na França e o quinto filme francês mais visto da história. Para ele Lévi escreveu um tema coral à maneira de Carmina Burana misturado com guitarras elétricas. Esse tema se chama "Enae Volare" e é, exatamente, a fórmula completa do Era três anos antes de o Era existir; reaparece como "Enae Volare (Mezzo)" no primeiro disco do projeto. Na décima nona edição dos prêmios César, em 1994, Lévi foi indicado à melhor música original por aquela partitura e perdeu para Khaled por Un, deux, trois, soleil.
E quem encerrou a questão foi ele mesmo, quando por fim falou: "o dinheiro de Les Visiteurs me permitiu gravar o primeiro álbum do Era". O projeto não nasceu de uma ideia de estúdio nem de uma leitura do mercado. Nasceu de uma encomenda de cinema, com o coro e as guitarras já postos na partitura de uma comédia de viagens no tempo, e foi gravado com o que aquela bilheteria pagou.
O rádio chegou no fim, e a gravadora é que escreveu o roteiro
O single "Ameno" saiu no dia primeiro de junho de 1996 pela Polygram, na França, e o álbum Era naquele mesmo ano; foi reeditado em 1998. As duas datas que se repetem são verdadeiras e não dizem a mesma coisa: o disco é de 1996 e a onda é de 1997 e 1998. A tabela de paradas do single é encabeçada por esses dois anos, e a Alemanha o levou ao número doze em janeiro de 1998. O álbum foi número um na França, na Valônia, na Finlândia, na Suécia e em Portugal, e número dois na Alemanha, na Noruega e na Suíça; o single chegou ao número dois na Valônia e ao cinco na França e na Suécia. Em 1998 o disco foi certificado de diamante na França, por um milhão de cópias.
A ordem dos fatores foi explicada pela gravadora sem rodeios. Monica Marin, vice-presidente de marketing de repertório continental da PolyGram Europe, na Billboard do dia vinte e nove de agosto de 1998: "colocamos o álbum nas paradas antes do primeiro single", e, quando viram que ele entrava no top 20, disse ela, "então conseguimos apoio do rádio". E o rádio só se juntou à festa quando se viu diante da popularidade da música. A mesma executiva descrevia a estratégia — "estamos definitivamente construindo uma marca com o Era" — e contou que o logo do Era era usado em todos os expositores e como capa. O motor foram a loja, a televisão e a publicidade, e o idioma inventado era argumento de venda, porque não deixava nenhuma barreira de idioma a vencer.
Nessa mesma página está o contraste que define o projeto. A PolyGram declarava três milhões e meio de cópias vendidas em um ano, quase três delas na Europa, e apenas umas trinta mil nos Estados Unidos, apesar do anúncio da MasterCard da Copa do Mundo de 1998 que usava "Ameno". E ali aparece também a comparação que todo mundo repete como se fosse do autor: foi a Billboard que situou o disco seguindo os passos de projetos como Adiemus, Deep Forest, Enigma, Sacred Spirit e Stone Age. Lévi fala nessa mesma reportagem e não menciona o Enigma: define sua música como "uma trilha sonora imaginária para um filme do século XXI". A esteira do Enigma foi posta pela indústria, não por ele.
Depois ficou calado vinte e três anos. Lévi não deu uma entrevista até o Le Parisien do dia vinte e cinco de março de 2019, e então explicou por quê: "ao contrário do que se acredita, a imprensa nos ignorou. Então decidimos jogar a carta do mistério, sem rádio, sem televisão, sem imprensa e sem fotos no disco". Contou também que "durante um ano fui expulso de todas as gravadoras antes de encontrar a pessoa interessada no meu projeto" — Yan-Philippe Blanc, da Mercury, que convenceu Pascal Nègre a assiná-lo — e que seu passado e seu presente não estão tão distantes: "o hard rock e a música do Era têm o mesmo gosto pelo épico e pela eficácia". No dia dezoito de abril daquele ano o Era subiu a um palco pela primeira vez, em La Seine Musicale de Boulogne-Billancourt, e em novembro e dezembro seguiu-se uma turnê europeia que passou pelo Forest National de Bruxelas, com trinta e uma pessoas em cena.
De Carmina Burana ao amapiano
A obra seguiu, e não foi o acidente de uma única canção. Era 2 saiu no dia vinte e um de junho de 2000 e foi número dois na França e na Valônia, número quatro na Suíça e platina francesa com trezentas mil cópias. The Mass, do dia vinte e seis de fevereiro de 2003, foi número um na Itália, dois na Suíça, quatro na França e dez nos Países Baixos e na Suécia, com platina na França e na Suíça, dez anos depois da estreia. Depois vieram Reborn em 2008, número seis na França; Era Classics em 2009, número três, e Classics II em 2010, ambos reinterpretações de Bach, Verdi, Vivaldi, Mozart, Beethoven e Tchaikovski; The 7th Sword em 2017 e, em 2022, o primeiro disco ao vivo. O tema que dá título a The Mass adapta abertamente "O Fortuna", dos Carmina Burana de Carl Orff, a mesma referência que Lévi havia invocado em 1993, agora sem disfarce; e arrastou um boato notável, porque na China circulou durante anos etiquetado como canção de guerra da primeira divisão Panzer da SS, a ponto de as enciclopédias chinesas terem tido que desmenti-lo por escrito e lembrar que a origem está em Orff.
Enquanto isso "Ameno" voltava de tempo em tempo por caminhos que não eram os de Lévi. No dia cinco de março de 2001 um remix de DJ Quicksilver a levou às discotecas: número seis na Valônia, doze na Espanha, treze na Áustria e dezoito na Alemanha. Em 2012 Vincent Niclo a gravou com os Coros do Exército Vermelho. E no dia dezessete de dezembro de 2019 nasceu o meme "Dorime", a partir de uma montagem com o cachorro Cheems publicada no YouTube por um youtuber, com rebrote no TikTok no começo de 2020.
O salto maior chegou no dia dezesseis de junho de 2021 e tampouco foi o Era que o deu. O produtor ganês Nektunez, Noble Zogli, publicou o "Ameno Amapiano Remix" com o cantor nigeriano Goya Menor, e o resultado transbordou qualquer medida: número um do World Digital Song Sales da Billboard em dezembro de 2021, número um do Shazam Global 200, sétimo na primeira parada Billboard U.S. Afrobeats Songs em março de 2022 e, em fevereiro daquele ano, perto de dez bilhões de visualizações no TikTok. David Guetta remixou o remix, Shaquille O'Neal e Paul Pogba fizeram a dança e o tema se tornou hino do Detty December nigeriano. Não foi um litígio: Nektunez contou em vídeo que o havia publicado com uma licença temporária sem saber que precisava de uma autorização plena do sample, que ao estourar o tema a gravadora do original a reclamou, que a canção foi retirada do Apple Music e do Spotify e que voltou às plataformas depois de regularizar a licença, gerida pela Sony Music. A Sony, disse ele, chegou no momento exato.
O que é preciso lembrar
O Era não nasceu em um estúdio: nasceu no cinema. O coro pseudogregoriano com guitarras elétricas que todo mundo associa aos anos noventa foi escrito por Éric Lévi para uma comédia francesa de viagens no tempo estreada em janeiro de 1993, e o primeiro disco foi gravado com o que aquele filme pagou. Antes disso Lévi havia sido guitarrista de hard rock num grupo cuja primeira formação perdeu dois integrantes que saíram para fundar o Téléphone. E o relato que o coloca à sombra do Enigma é da indústria: na reportagem onde aparece essa comparação, ele fala de uma trilha sonora imaginária para um filme do século XXI e não nomeia o Enigma.
O resto são cifras e um ofício. Três milhões e meio de cópias em um ano, quase três na Europa e trinta mil nos Estados Unidos; um diamante francês; um número um italiano dez anos depois da estreia; e uma canção de 1996 que continua voltando em forma de remix de discoteca, de meme e de sucesso amapiano com bilhões de reproduções em cima. No centro, o detalhe que ordena tudo: as palavras que não significam nada não foram escritas apenas pelo compositor, mas também pelo diretor de coro que as canta e que, quando não está dirigindo, dá seu parecer nos tribunais sobre se duas melodias se parecem demais. Quando soar aquele coro enorme cantando um idioma que não existe, ali está o perito, pondo por escrito as sílabas que não podiam se parecer com nada.
Fontes
O Era é um projeto musical francês criado pelo compositor e guitarrista Éric Lévi, nome real Éric Jacques Levisalles (n. 23 de dezembro de 1955, Paris), seu único membro permanente: não é uma banda, mas um compositor com músicos e cantores de estúdio. Gravadoras: Polygram, Mercury e Philips na França, depois Universal. Lévi está vivo e em atividade; deu entrevistas em 2019 e em 2026 e se apresenta ao vivo com o Era desde 2019. Antes fundou em Paris, em 1975, o grupo de hard rock Speedball, rebatizado Shakin' Street por uma canção do MC5, com Fabienne Shine (voz) e, na formação inicial, Louis Bertignac (segunda guitarra), Corine Marienneau (baixo) e Jean-Lou Kalinowski (bateria e percussão); Bertignac e Marienneau deixaram o grupo depois de atritos internos e fundaram o Téléphone com Jean-Louis Aubert. Discos do Shakin' Street: "Vampire Rock" (CBS, 1978), gravado nos Olympic Studios, Londres, mais de 25.000 cópias na França, e "Shakin' Street" (Columbia, 1980), publicado também como "Solid as a Rock", produzido por Sandy Pearlman e com Ross "the Boss" Friedman — futuro Manowar — na guitarra solo, nº40 na Suécia. Turnê estadunidense de 1979-1980 com Blue Öyster Cult, Cheap Trick, Pat Travers, Journey e AC/DC, e como abertura do Black and Blue Tour do Black Sabbath e do Blue Öyster Cult. O grupo se dissolveu em 1981; Lévi se instalou em Nova York, colaborou com Marianne Faithfull e voltou a Paris em 1992. Trilhas sonoras: "L'Opération Corned-Beef" (1991), "Les Visiteurs" (1993), "La Vengeance d'une blonde" e "Pourquoi maman est dans mon lit ?" (1994), "Les Anges gardiens" (1995), "Ma femme me quitte" (1996), "Les Sœurs Soleil" (1997), "Les Couloirs du temps : Les Visiteurs 2" (1998), "Les Filles du botaniste" (2006) e "Les Visiteurs : La Révolution" (2016); cinco delas para Jean-Marie Poiré. "Les Visiteurs" estreou em 27 de janeiro de 1993 e somou 13.782.991 espectadores na França, o quinto filme francês mais visto da história; nos 19.º prêmios César (1994) teve 8 indicações e ganhou uma, a de Valérie Lemercier como atriz coadjuvante, e Lévi perdeu a de melhor música original para Khaled por "Un, deux, trois, soleil". Para esse filme compôs um tema coral "à maneira de Carmina Burana" misturado com guitarras elétricas: "Enae Volare", que reaparece como "Enae Volare (Mezzo)" no primeiro álbum do Era. Lévi: "o dinheiro de Les Visiteurs me permitiu gravar o primeiro álbum do Era" (Le Parisien, 25 de março de 2019). Para "La Vengeance d'une blonde" coescreveu "People and Places" com Philip Bailey (Earth, Wind & Fire) e Roxanne Seeman, gravada por Dee Dee Bridgewater e Philip Bailey. O single "Ameno" foi publicado em 1 de junho de 1996 (Polygram, França): música de Lévi, letra de Lévi e Guy Protheroe, produção de Lévi, vozes de Protheroe e Harriet Jay, guitarra, baixo e bateria de Philippe Manca e coro do English Chamber Choir; coros gravados em Abbey Road, CTS e Metropolis (Londres), e guitarras, teclados e vozes nos Real World Studios (Bath). Paradas do single: nº2 Valônia, nº5 França, nº5 Suécia, nº12 Alemanha (entrada em 5 de janeiro de 1998), nº32 Islândia; nº100 do Eurochart Hot 100 de 1997, nº42 do Border Breakers Top 50 de 1998 e nº61 do anual alemão de 1998. Certificações do single: 3× platina na Suíça (150.000), platina na Polônia (100.000), ouro na Bélgica (1997) e ouro na Espanha (1998). O álbum "Era" (Tranman/Mercury/Philips, 1996; 40:23; reeditado em 1998) foi nº1 na França, Valônia, Finlândia, Suécia e Portugal, nº2 na Alemanha, Noruega e Suíça, nº4 nos Países Baixos, nº9 na Hungria, nº20 em Flandres, nº41 na Áustria, nº52 na Itália e nº53 na Austrália; nº3 do anual francês de 1997, nº7 do anual sueco de 1997 e nº25 do European Top 100 Albums de 1997. Certificações: diamante na França em 1998 (1.000.000), 2× platina na Argentina e na Suécia (1998), platina na Bélgica (1997), nos Países Baixos, na Noruega e na Finlândia (52.717, 1998), 2× ouro no México (1999) e ouro no Canadá (1999). A PolyGram declarou 3.500.000 de cópias vendidas em um ano, quase 3.000.000 delas na Europa, e cerca de 30.000 nos Estados Unidos, apesar do anúncio da MasterCard da Copa do Mundo de 1998 que usava "Ameno" (Billboard, 29 de agosto de 1998, p. 101); a Music & Media deu 3.500.000 na Europa em 19 de dezembro de 1998. Nessa peça da Billboard, Monica Marin, vice-presidente de marketing de repertório continental da PolyGram Europe: "we got the album into the charts before the first single… then we got radio support", "Radio only came to the party when confronted with the music's popularity" e "We are definitely building a brand with Era"; e Lévi define o disco como "an imaginary soundtrack for a 21st-century movie". A comparação com Adiemus, Deep Forest, Enigma, Sacred Spirit e Stone Age é da Billboard, não de Lévi: não se encontrou nenhuma declaração dele sobre o Enigma. Outros letristas e vozes: Florence Dedam (letra e voz de "Mother" e "After Time"), Eric Geisen ("Cathar Rhythm"), Murielle Lefebvre ("Enae Volare (Mezzo)") e Lena Jinnegren (quatro faixas de "The Mass"); Lee "Leland" Sklar no baixo e Philippe Manca nas guitarras e no bandolim no disco de estreia, e Chester Thompson e Daryl Stuermer, da banda de palco do Genesis, em discos posteriores. Guy Protheroe: britânico, n. Worcester, 1947; menino de coro na catedral de Canterbury, bolsista de música no Magdalen College (Oxford) e diretor do English Chamber Choir, fundado em 1972, que gravou com Vangelis ("1492: Conquest of Paradise"), Rick Wakeman ("Journey to the Centre of the Earth", 1974) e o "Tommy" cênico do The Who (1972-73); é além disso musicólogo forense: perito judicial em disputas de copyright musical desde o caso de "Chariots of Fire" de Vangelis na High Court em 1987, consta dos registros britânicos de peritos (expertwitness.international) como "Forensic Musicologist" (MA Oxon, MAE) e a Universidade de Birmingham o descreveu em 26 de junho de 2023 como "one of the most eminent expert musicologist working in this field for over 35 years in the UK and beyond". O perfil do The New York Times de 11 de outubro de 2016, "The Man Musicians Call When Two Tunes Sound Alike", de Alex Marshall, é dedicado a Peter Oxendale: Protheroe aparece nele como um dos peritos entrevistados, ao lado de Joe Bennett, e não como seu protagonista. Discografia posterior: "Era 2" (21 de junho de 2000, Mercury; nº2 França, nº2 Valônia, nº4 Suíça, nº4 Hungria, nº8 Suécia, nº12 Alemanha, nº13 Países Baixos; platina na França com 300.000; ouro na Argentina, Bélgica, México e Suíça), "The Mass" (26 de fevereiro de 2003, Mercury/Universal; nº1 Itália, nº2 Suíça, nº4 França, nº5 Valônia, nº9 Portugal, nº10 Países Baixos, nº10 Suécia, nº13 Hungria, nº17 Áustria, nº43 Flandres, nº53 Alemanha; platina na França e na Suíça), "Reborn" (24 de março de 2008, Mercury; nº6 França, nº10 Valônia, nº18 Suíça, nº25 Itália; ouro na Rússia), "Era Classics" (2009; nº3 França, nº3 Valônia), "Classics II" (2010; nº14 França, nº10 Valônia), "The 7th Sword" (2017; nº42 França, nº45 Valônia, nº98 Suíça) e "Era The Live Experience" (2022), primeiro disco ao vivo. O tema "The Mass" adapta "O Fortuna", dos "Carmina Burana" de Carl Orff (1895-1982); não está verificado se Orff figura nos créditos legais do tema nem se a adaptação foi licenciada com a Schott Music e o espólio de Orff, e não consta nenhum litígio nem nenhuma acusação formal de plágio. Na China o tema circulou durante anos atribuído falsamente à 1.ª Divisão Panzer da SS, atribuição que as enciclopédias chinesas desmentem apontando Orff como origem real. Reaparições de "Ameno": remix de DJ Quicksilver (5 de março de 2001, Polydor; nº6 Valônia, nº12 Espanha, nº13 Áustria, nº18 Alemanha, nº20 Suíça, nº30 Países Baixos, nº75 Eurochart), versão de Vincent Niclo com os Coros do Exército Vermelho em "Opéra rouge" (2012, Universal; nº87 SNEP), o meme "Dorime" (17 de dezembro de 2019, montagem do doge/Cheems publicada pelo youtuber MurdockCakeLie, com rebrote no TikTok no começo de 2020) e o "Ameno Amapiano Remix" (16 de junho de 2021) do produtor ganês Nektunez, nome real Noble Zogli, com o cantor nigeriano Goya Menor, nome real Bright Goya (n. 4 de maio de 1995, Edo State): nº1 do World Digital Song Sales da Billboard em dezembro de 2021, nº1 do Shazam Global 200, nº7 na primeira Billboard U.S. Afrobeats Songs em março de 2022, nº117 na SNEP e perto de 10.000 milhões de visualizações no TikTok em fevereiro de 2022; David Guetta o remixou em 2022 e Nektunez e Goya Menor ganharam o Headies 2022 de melhor artista street-hop. Nektunez declarou em vídeo que havia publicado o tema com uma licença temporária da DistroKid sem saber que precisava de uma "sample clearance" completa, que o tema foi retirado do Apple Music e do Spotify e que voltou depois de uma licença plena gerida pela Sony Music, que o contratou; não houve ação judicial nem sentença, e não existe declaração pública de Lévi nem do Era sobre o remix. Lévi deu sua primeira entrevista em 23 anos ao Le Parisien, publicada em 25 de março de 2019: "ao contrário do que se acredita, a imprensa nos ignorou. Então decidimos jogar a carta do mistério, sem rádio, sem televisão, sem imprensa e sem fotos no disco"; "durante um ano fui expulso de todas as gravadoras antes de encontrar a pessoa interessada no meu projeto" — Yan-Philippe Blanc, da Mercury, que convenceu Pascal Nègre, da Universal, a assiná-lo —; "o hard rock e a música do Era não estão tão distantes; têm o mesmo gosto pelo épico e pela eficácia". O Era se apresentou ao vivo pela primeira vez em 18 de abril de 2019 em La Seine Musicale de Boulogne-Billancourt, com cerca de 40 músicos e cantores em cena (crônica da Music Waves, Christophe Meng, 21 de maio de 2019: "Pour la première fois en Europe, Era monte sur scène pour nous présenter 'The Live Experience'"; anúncio no Sortiraparis e na programação da casa). A turnê europeia seguiu em novembro e dezembro de 2019 — Nantes, Amnéville, Lyon, Genebra, Aix-en-Provence, Bordeaux, Montpellier, Toulouse, Lille, Bruxelas e Estrasburgo, além da Salle Pleyel de Paris nos dias 26 e 27 de dezembro — e no Forest National de Bruxelas, em 7 de dezembro de 2019, houve 31 pessoas em cena: nove músicos, coro de 18 e quatro solistas de ópera e de metal (Branchés Culture, 8 de dezembro de 2019, que o descreve como o único concerto do Era na Bélgica). Não se encontrou nenhum litígio, condenação, acusação formal de plágio, dependência nem escândalo associado ao Era nem a Éric Lévi. A letra de "Ameno" é pseudo-latim deliberadamente desprovido de significado exato; as supostas traduções ao espanhol que circulam em sites de letras — uma intitulada "Libérame" no lyricstranslate.com, outra no letras.com — e as leituras de "mantra" ou de mensagem oculta difundidas no TikTok são invenções, não traduções. Cifras de vendas em circulação, com sua origem: 3.500.000 em um ano (PolyGram via Billboard, 1998), 5.000.000 do primeiro disco (Wikipédia em francês e Lévi no Le Parisien, 2019), 6.000.000 e "o álbum francês mais exportado de seu momento" (RFI Music, o dado mais citado e o menos verificável) e 12.000.000 em toda a trajetória de sete discos em 23 anos (imprensa francesa, 2019). Perfil elaborado para a Rebobinados com verificação de dados; as interpretações sobre o sentido de sua obra são oferecidas como leitura do autor. Não se reproduzem letras de canções por direitos autorais. Dados recolhidos da Billboard (29 de agosto de 1998, p. 101, e 26 de junho de 1999), da Music & Media (2 de maio de 1998, 19 de dezembro de 1998 e 27 de dezembro de 1997), do The New York Times (11 de outubro de 2016), do Le Parisien (25 de março de 2019) via Purepeople e Chartsinfrance, do Casting.fr, do Music In Belgium, do Ameyaw Debrah, do GhanaWeb, do Premium Times, do Pulse Nigeria, do Pulse Ghana, do TheCable, da BBC News Pidgin, do Know Your Meme, do Baidu Baike, da Music Waves (21 de maio de 2019), do Sortiraparis, da Branchés Culture (8 de dezembro de 2019), dos créditos dos discos do Era e da Wikipédia em inglês, francês e alemão.
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90s
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Enigma
O mesmo erro duas vezes
O processo do coro de Munique pelos cantos gregorianos de "Sadeness" foi encerrado com acordo em agosto de 1991, desculpa pública da Virgin incluída. "Return to Innocence" saiu em dezembro de 1993 com o canto de um casal amis de Taitung gravado apenas para preservação cultural: Difang e Igay Duana souberam porque uns amigos ouviram suas vozes no rádio, processaram na Califórnia com o Comitê Olímpico Internacional entre os réus e acordaram em julho de 1999.

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Modern Talking
Em Viña subiu metade da dupla
Em fevereiro de 1988 a Quinta Vergara anunciou o Modern Talking, mas ao palco subiu apenas Thomas Anders: o contrato era anterior à ruptura de 1987. E a dupla nunca foi dois. O falsete do refrão era cantado por Rolf Köhler, Michael Scholz, Detlef Wiedeke e Birger Corleis, sem aparecer em nenhum crédito, enquanto Dieter Bohlen mexia os lábios. Processaram em Berlim e receberam cem mil marcos em 2001, mas o processo tratava de samples: nenhum tribunal resolveu nunca quem cantava o quê.

70s
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Kraftwerk
Vinte e sete anos por dois segundos
Em 1997 Moses Pelham tomou dois segundos de "Metall auf Metall" para uma canção de Sabrina Setlur. Ralf Hütter e outros integrantes do Kraftwerk processaram em 1999 a título pessoal: 27 anos, o Bundesverfassungsgericht alemão, duas sentenças do TJUE e um artigo revogado depois, o Bundesgerichtshof decidiu contra eles em 3 de setembro de 2026. Florian Schneider morreu em 2020 sendo demandante principal. Por "Planet Rock", a Tommy Boy havia se arranjado a um dólar a cópia.
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